IBIS AMAZONAS "DURO ARTEFATO"

Atualizado: há 4 dias



Conheci o poeta Ibis Amazonas no final da década de 80 do século passado. Desde então uma amizade atravessada de Poesia nos uniu até hoje. Descobrimos que líamos praticamente os mesmos poetas. Escolhemos uma plêiade de poetas nacionais e estrangeiros com os quais dialogávamos e habitávamos poeticamente para a nossa aprendizagem, levando em consideração a máxima faustiniana, apregoada sempre em seus “Diálogos de Oficina”, que cabe a todo poeta a responsabilidade ético-estética de ser um bom poeta. Daí a disponibilidade mútua, que sempre caracterizou nossa amizade, de sermos capazes de aceitar a crítica um do outro aos poemas que escrevíamos, no sentindo de cortar eventuais gorduras e aprimorá-los.


Ibis Amazonas é daqueles poetas em que a vida e a arte sempre se confundiram intensamente, como bem assinala o poeta Antônio Moura, no texto que escreveu para edição deste livro: “Há em certos autores um espaço inextricável entre vida e obra, um ponto de interseção entre dois espelhos em que cada um, inevitavelmente, reflete o outro. Sem querer entrar aqui em psicologismos leigos, não se sabe ao certo quem provoca quem, se a obra à vida ou se a vida à obra.” Isso explica o fato de Ibis não ter se preocupado tanto em divulgar sua poesia a não ser para um grupo seleto de amigos interlocutores a quem mostrava seus poemas, organizados em pequenos livros artesanais.


Os poemas escolhidos para compor este pequeno livro, intitulado “Duro Artefato”, representam uma amostra da potência criativa de sua poesia, uma poesia que se pensa e se constrói como artefato poético, com um rigor necessário, em que transfigura os sentimentos, as sensações e emoções em objetos poéticos, precisos, intensos, sem diluição. Alguns desses poemas foram publicados na Guiana Francesa pela revista “Transes”, organizada pelo poeta Dominique Martin, com a tradução para o francês do poeta Álvaro Faleiros, em 2002, inseridos também na presente edição.


Vale ressaltar aqui também o belo projeto do livro feito pela design gráfica Thayse Panda, que conseguiu um diálogo efusivo, através de suas fotos de aspecto terroso e farpado, com os poemas do livro, bem propícias ao conceito de “Duro Artefato”.

O alcance deste livro de Ibis Amazonas tem um duplo propósito: (re)ativar no contexto literário amapaense a existência de um poeta sui generis, enriquecendo, ainda mais, o patrimônio literário, poético do Amapá; e, assumirmos a nossa parte como pessoas que acreditam, verdadeiramente, na importância da poesia, da literatura como condições imprescindíveis para toda e qualquer mudança que potencialize a nossa existência.

Que os leitores e leitoras possam agora fruir da potência e da força poética de “Duro Artefato”. A Ave – Ibis Amazonas – pousou entre nós!


Confira o e-book aqui.



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